Cinco pessoas, sendo três brasileiros e dois paraguaios, foram presas na madrugada de segunda-feira (16) sob a suspeita de traficar cerca de 50 paraguaios para trabalho análogo à escravidão no Brasil. O grupo foi interceptado em Ypejhú, cidade paraguaia localizada a cerca de 200 quilômetros da fronteira com o Paraná, no momento em que tentava cruzar para o território brasileiro em um ônibus.
Segundo o Ministério Público do Paraguai, os suspeitos aliciavam as vítimas com falsas promessas de trabalho na colheita de maçãs, oferecendo pagamento em reais. A investigação, no entanto, apontou que o objetivo da quadrilha era submeter os recrutados a trabalho forçado e condições de servidão.
O Departamento Contra o Tráfico de Pessoas informou que a operação foi resultado de um trabalho de inteligência e monitoramento da polícia paraguaia. Os agentes acompanharam o deslocamento do grupo desde o interior do país até a área de fronteira. As apurações revelaram que o recrutamento ocorria por meio de grupos no aplicativo WhatsApp. Parte das vítimas chegou a ser concentrada em uma casa alugada na cidade de Doctor Eulogio Estigarribia, no departamento de Caaguazú, antes de seguir viagem.
Durante o trajeto de ônibus até a fronteira, os suspeitos passaram por diferentes cidades e incluíram novas pessoas no grupo, entre elas integrantes de comunidades indígenas locais. Em depoimento às autoridades, as vítimas relataram que tiveram seus documentos pessoais e aparelhos celulares confiscados pelos aliciadores.
Na abordagem policial, foram apreendidos celulares e outros materiais que devem auxiliar no aprofundamento das investigações. Diante dos fatos, o Ministério Público solicitou a prisão preventiva de todos os envolvidos, que podem responder criminalmente por tráfico de pessoas.