Em muitas pequenas cidades do Brasil, a democracia anda de cabeça baixa e o eleitor, de mãos atadas. Onde não há emprego, o que existe é um curral moderno — não de porteira, mas de pressão. O voto deixa de ser livre e passa a ter dono.
Virou rotina: quer trabalhar? Então, vote no candidato que você está sendo pressionado a apoiar. Precisa sustentar a família? Melhor não contrariar o gestor. E quem ousa discordar conhece de perto a perseguição, o isolamento e o esquecimento administrativo.
E o veículo de comunicação que fiscaliza ou cobra é ameaçado com processos e até com o fechamento das portas. É a política do favor travestida de gestão pública. E o mais curioso — para não dizer revoltante — é que esses mesmos gestores adoram subir no palanque para falar em democracia, desenvolvimento e compromisso com o povo.
Discurso bonito; prática vergonhosa.
Alguns parecem confundir prefeitura com propriedade privada. Acham que emprego público é moeda de troca e que o cidadão é um dependente político. No fundo, governam como se ainda estivessem no tempo do coronelismo — só que agora com redes sociais e discursos ensaiados.
Mas a verdade é simples: gestor que precisa prender o eleitor pelo medo é porque fracassou naquilo que mais importa — gerar oportunidades.
O caminho correto não é o da pressão; é o da produção. Atrair empresas, incentivar o empreendedorismo, abrir portas para o crescimento e tirar o povo da miséria — não por meio de programas que perpetuam a dependência, mas com oportunidades reais.
Emprego de verdade liberta; já o cabresto político aprisiona.
E fica a pergunta: que liderança é essa que só se sustenta calando o povo? Afinal, democracia não combina com chantagem, e cidadão de bem não nasceu para ser refém de gestor.
Calma, toda calma nessa hora: não podemos generalizar. Afinal, também temos excelentes gestores e ótimos prefeitos.
Opinião e comentário: Edimar Soares
