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Artemis II inicia retorno após passar pelo lado oculto da Lua e bater recorde de distância

A descida será desacelerada por paraquedas até a amerissagem no Oceano Pacífico, onde equipes de resgate aguardam.

A missão Artemis II iniciou a viagem de volta à Terra depois de completar o sobrevoo da Lua e estabelecer um novo recorde de distância percorrida por humanos no espaço. A manobra ocorreu na segunda-feira (6), quando a cápsula Orion passou pelo lado oculto do satélite.

Durante a travessia, houve perda temporária de comunicação, prevista nesse tipo de trajetória. Por volta das 20h02 (de Brasília), a nave atingiu a distância máxima de 406,6 mil quilômetros da Terra. O número supera em cerca de 6.600 quilômetros o recorde da missão Apollo 13, que por décadas foi referência em voos tripulados.

A bordo estão os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen. Trata-se da primeira missão com tripulação a deixar a órbita terrestre desde o fim do programa Apollo program.

Em publicação nas redes sociais, o administrador da NASA, Jared Isaacman, afirmou que a nave já iniciou o retorno. Ele também destacou o caráter simbólico do feito, ao dizer que o momento representa a retomada da confiança em missões consideradas quase impossíveis.

Após o restabelecimento do contato, a primeira mensagem veio de Koch. “Houston, aqui é a Integrity, teste de comunicação… é muito bom ouvir a Terra de novo”, disse. Ela também mencionou a visibilidade da Lua a partir do planeta, dirigindo-se a regiões como Ásia, África e Oceania.

Durante a passagem pelo lado oculto, a cápsula operou de forma autônoma para executar manobras necessárias ao retorno. A partir de agora, a missão entra na etapa final, que inclui ajustes de trajetória e atividades operacionais a bordo.

Nos próximos dias, a Orion deve deixar a influência gravitacional da Lua e realizar pequenas queimas de motor para alinhar o percurso. Estão previstos ainda testes de pilotagem manual, simulações de proteção contra radiação solar e revisões dos procedimentos de reentrada.

O retorno envolve etapas consideradas críticas. Antes de entrar na atmosfera, a cápsula se separará do Módulo de Serviço Europeu, responsável pela propulsão. Em seguida, o escudo térmico enfrentará temperaturas de até 1.650 °C. A descida será desacelerada por paraquedas até a amerissagem no Oceano Pacífico, onde equipes de resgate aguardam.

A conclusão da missão está prevista para 10 de abril, após cerca de dez dias no espaço profundo.
Tripulação ouve gravação de Jim Lovell e batiza crateras durante observação da Lua

Durante o sobrevoo, os astronautas ouviram uma mensagem gravada por Jim Lovell, que participou das missões Apollo 8 e Apollo 13 e morreu no ano passado, aos 97 anos. Na gravação, ele cumprimentou a tripulação e recomendou que aproveitassem a vista.

A equipe também participou da nomeação simbólica de formações na superfície lunar. Duas crateras visíveis foram batizadas: uma recebeu o nome Carroll, em homenagem a Carroll Taylor Wiseman, esposa do comandante Wiseman, que morreu em 2020; a outra foi chamada de “Integrity”, em referência à cápsula.

Nesta imagem da Lua totalmente iluminada, o lado visível, que é o hemisfério que vemos da Terra, aparece à direita. Ele pode ser identificado pelas manchas escuras que cobrem sua superfície. Essas manchas são antigos fluxos de lava, formados no início da história da Lua, quando o satélite ainda era vulcanicamente ativo.

A grande cratera a oeste desses fluxos de lava é a bacia Orientale, com cerca de 965 quilômetros de diâmetro, que se estende pelos lados visível e oculto da Lua. A metade esquerda de Orientale não pode ser observada da Terra, mas, nesta imagem, é possível ver a cratera por completo.

Tudo o que está à esquerda da cratera corresponde ao lado oculto, que é o hemisfério que não conseguimos ver da Terra, já que a Lua gira em torno de seu próprio eixo na mesma velocidade com que orbita o planeta.

(Com informações e imagens da Nasa)