Considerado um dos maiores esquemas do tipo no Paraná e possivelmente no país, o grupo se destacava pelo alto grau de sofisticação, uso intensivo de tecnologia e ampla atuação territorial e financeira.
Durante dois dias de operação, na terça (7) e quarta-feira (8), foram cumpridos 85 mandados de prisão preventiva e 102 mandados de busca e apreensão contra 90 investigados.
A maior parte das ordens judiciais foi executada em Cianorte, apontada como base operacional da organização. Também houve ações em cidades como Londrina, Apucarana, Campo Mourão, Terra Boa, Engenheiro Beltrão, Paraíso do Norte, Mandaguaçu, Alvorada do Sul, Curitiba, Pinhais, Medianeira, Marechal Cândido Rondon, Faxinal, Sabáudia e Goioerê, além de municípios em Goiás, São Paulo, Pará e Santa Catarina.
Estrutura
As investigações, conduzidas pela 5ª Promotoria de Justiça de Cianorte, apontaram uma organização estruturada em núcleos de liderança, financeiro, tecnológico e operacional. Cada setor tinha funções específicas, atuando de forma integrada para expandir as atividades ilícitas.
Segundo o MP, os líderes utilizavam familiares para ocultar patrimônio, colocando-os como responsáveis formais por empresas e movimentações financeiras, embora mantivessem o controle das operações.
Um dos diferenciais do grupo era o uso de tecnologia. Entre os recursos identificados está o sistema “Suni”, desenvolvido em Cianorte, que funcionava como plataforma central para gestão e controle das apostas ilegais realizadas por máquinas.
O sistema operava em tempo real e era utilizado em pelo menos 14 estados, conectando dezenas de bancas de jogo do bicho e mais de 15 mil pontos de exploração.
Além disso, a organização utilizava plataformas digitais para explorar diversas modalidades ilegais, como caça-níquel, apostas esportivas e jogos online, incluindo o chamado “tigrinho”. Parte desses sistemas estava hospedada no exterior.
Lavagem de dinheiro
As apurações indicam que o grupo movimentou cerca de R$ 2 bilhões em mais de 522 mil operações financeiras. Para ocultar a origem dos valores, eram utilizadas empresas de fachada, “laranjas” e intermediadores de pagamento, além de técnicas como fragmentação de valores.
A investigação também identificou conexões com outros grupos criminosos, especialmente em Goiás, formando uma rede com atuação em diferentes regiões do país.
Bens bloqueados
A operação resultou no bloqueio de contas bancárias para sequestro de aproximadamente R$ 1,5 bilhão. Também foram apreendidos 132 veículos (mais de R$ 11 milhões), 111 imóveis (R$ 32,9 milhões) e mais de 100 cabeças de gado.
Ao todo, 21 sites de apostas ilegais foram retirados do ar. Entre os presos estão o presidente da Câmara de Cianorte e o vice-presidente da Câmara de Goioerê, o que, segundo os investigadores, demonstra o nível de infiltração do grupo no poder público.
