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Incra apura caso de possível intoxicação por agrotóxico em famílias do MST

Testemunhas afirmam que o cheiro se espalhou rapidamente, indicando possível desvio da pulverização
(Foto Danilo Martins/OBemdito)

O Incra afirmou, nesta quarta-feira (8), que tem conhecimento da denúncia de possível intoxicação por agrotóxico em Perobal, na região de Umuarama, e condenou a aplicação de defensivos agrícolas em áreas próximas a locais habitados.

Em nota, o órgão informou que a pulverização foi realizada por uma das duas famílias de posseiros que ocupam a propriedade. O responsável já foi notificado a deixar o local, segundo o instituto, que afirma acompanhar a situação.

A denúncia foi feita por famílias do acampamento Benedito Gomes, que relatam um caso de possível intoxicação ocorrido em 28 de março. O episódio reacendeu preocupações sobre os riscos do uso de produtos químicos em áreas próximas a moradias.

De acordo com os relatos, a aplicação ocorreu no fim da tarde, por volta das 18h, em uma área em disputa conhecida como Fazenda Tiburi. O produto teria atingido diretamente o acampamento, onde vivem cerca de 430 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

Testemunhas afirmam que o cheiro se espalhou rapidamente, indicando possível desvio da pulverização. Após o episódio, cerca de 20 pessoas apresentaram sintomas como irritação na garganta, tosse e dores de cabeça. Também há relatos de possíveis danos a uma lavoura coletiva de feijão mantida pelos moradores.

Segundo os denunciantes, a aplicação foi feita com equipamento acoplado a trator, e há suspeita de uso de herbicida, embora a substância ainda não tenha sido identificada. O caso foi encaminhado a órgãos como o Ministério Público.

A área onde ocorreu o episódio pertence ao Incra e é alvo de disputa há cerca de duas décadas. O imóvel, com aproximadamente 215 hectares, é objeto de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal em 2022, após a identificação de irregularidades na tentativa de transferência para particulares.

Ainda de acordo com a denúncia, uma decisão judicial recente reconheceu a ocupação irregular pelos posseiros e determinou a desocupação do imóvel para fins de reforma agrária. Apesar disso, há relatos de descumprimento, com continuidade de atividades no local.

O Incra informou que já havia notificado os ocupantes irregulares no início de fevereiro para deixarem a área em até 30 dias, permitindo apenas a colheita da safra existente. No entanto, segundo as famílias, novos plantios estariam sendo realizados.

As famílias acampadas estão no local desde fevereiro deste ano, após deixarem outra área em Umuarama. No Paraná, cerca de 5 mil famílias ligadas ao movimento vivem em acampamentos à espera de acesso à terra.

(Com informações da Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Viva) OBemdito