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Casal de médicos é investigado por suspeita de desviar até R$ 400 mil de clínica em Cascavel

De acordo com documentos obtidos pela reportagem, um casal de médicos é apontado como responsável pela gestão financeira da clínica.
Foto:CGN

Uma denúncia anônima recebida pela CGN trouxe à tona um caso de indício de desvio de dinheiro que está sacudindo os bastidores da área da saúde em Cascavel. Dois nomes ligados a uma conhecida sociedade médica da cidade foram oficialmente indiciados pela Polícia Civil por suspeita de desvio de dinheiro da própria empresa, que também tem outros sócios. A CGN teve acesso ao inquérito.

De acordo com documentos obtidos pela reportagem, um casal de médicos é apontado como responsável pela gestão financeira da clínica.

Gastos pessoais

A investigação aponta que valores da empresa teriam sido utilizados pelos dois para pagar despesas particulares do casal — incluindo contas domésticas, compras e até serviços que nada tinham a ver com a atividade médica.

Os próprios sócios começaram a desconfiar quando perceberam indícios conflitantes: apesar do alto volume de trabalho e do alto faturamento, as contas da clínica estavam no vermelho.

Foi aí que uma auditoria interna entrou em ação — e o que apareceu chocou os envolvidos, conforme descrito no inquérito da polícia: “Em meados do primeiro trimestre de 2025, os demais sócios passaram a desconfiar da lisura da administração, haja vista o elevado volume de trabalho da equipe contrastar com a ausência de lucratividade e a existência de saldo devedor na conta da pessoa jurídica. A partir da extração de extratos bancários, as vítimas constataram que recursos da empresa vinham sendo utilizados, sem o consentimento dos demais, para o pagamento de diversas despesas pessoais dos investigados. Diante da suspeita de desvios, os sócios destituíram a antiga administração, promoveram uma auditoria contábil e noticiaram os fatos a esta unidade policial.”

$ 400 mil

Segundo depoimentos colhidos no inquérito, o prejuízo estimado gira em torno de R$ 400 mil.

Só em 2024, uma diferença de até R$ 150 mil já havia sido identificada nos repasses financeiros da clínica.

Extratos bancários revelaram pagamentos considerados “incompatíveis” com a rotina da empresa, como contas de energia, serviços domésticos, além de compras em lojas e supermercados.

Casal nega

Durante interrogatório, os investigados negaram qualquer irregularidade.

A defesa alegou que os gastos eram, na verdade, despesas da própria empresa — incluindo confraternizações, eventos e ações de relacionamento profissional.

médico também afirmou que está sendo vítima de uma articulação interna e que sua exclusão da sociedade teria sido “orquestrada” pelos demais sócios.

Indícios de crime

A Polícia Civil considerou haver indícios robustos de apropriação indevida de recursos e cita no relatório: “A materialidade delitiva encontra-se consubstanciada nos elementos colhidos, notadamente nos depoimentos das vítimas e na referência ao relatório de auditoria financeira, que apontam indícios robustos de saídas de numerário da conta da pessoa jurídica para custeio de despesas estritamente pessoais dos investigados.”

O casal foi indiciado por apropriação indébita, crime que ocorre quando alguém usa, como se fosse seu, um dinheiro que estava sob sua responsabilidade — neste caso, recursos da própria empresa.

Segundo o relatório policial, o ponto mais grave é a quebra de confiança: o acesso ao dinheiro era legítimo, mas o uso – segundo a investigação – teria sido irregular.

Justiça

O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que deve decidir se oferece denúncia formal à Justiça.

Até a publicação desta reportagem, neste sábado (11), a última movimentação constada no processo foi em 19 de março de 2026, momento da inclusão do relatório da Polícia.

Se condenados, os investigados podem responder por crime com agravante, já que o dinheiro estaria sob sua guarda em razão da função que exerciam na empresa.

Clima de guerra

Nos bastidores, o clima é de ruptura total entre os sócios da clínica. O que antes era uma sociedade médica consolidada virou palco de acusações graves, auditorias, expulsão de sócio e agora um caso criminal que pode ter desdobramentos ainda mais sérios.

Fonte:CGN