Bem vestido, com blazer, postura profissional e carros novos, ele se apresenta como corretor de consórcios e uma postura que transmite confiança às vítimas. Mas, por trás da aparência sofisticada, uma série de denúncias de estelionato e mais de 20 processos envolvendo falsas cartas de consórcio contempladas em Cascavel.
Segundo vítimas, o homem que é de Quedas do Iguaçu usava indevidamente o nome da Magazine Luiza Consórcios para oferecer cartas premiadas com promessa de liberação rápida de valores. Os alvos do golpista são, normalmente, pessoas interessadas em trocar de veículo ou obter crédito com mais agilidade.
Uma das vítimas procurou o Portal Catve.com após perder um veículo Celta, avaliado em R$ 12,5 mil, durante a negociação de uma suposta carta contemplada no valor de R$ 41.017,00.
O homem contou que conheceu o “vendedor” por meio de um conhecido que também negociava com ele. O objetivo era trocar de carro e adquirir outro melhor para a família. O primeiro contato aconteceu em abril de 2025 e o negócio foi fechado em agosto. O fato de possuir um escritório no Centro de Cascavel, na rua Sete de Setembro, colaborou para depositar confiança no suspeito.
Como entrada, ele entregou o Celta e assinou a procuração de transferência do veículo. O suspeito afirmou que venderia o carro, repassaria o valor ao dono da carta contemplada e, em seguida, liberaria o consórcio.
O contrato, segundo ele, seria enviado por e-mail, mas isso nunca aconteceu. “Deu um problema no sistema da Magazine e eles não vão conseguir te enviar agora”, teria dito antes de sair com o carro da vítima.
Hoje, o veículo estaria em Ubiratã. Quando cobrado, o suspeito afirma que não trabalha mais com a Magazine Luiza e que agora atua por conta própria.
“Ele é muito manipulador, conversa com você e fala tanta coisa que embaralha sua cabeça”, relatou a vítima.
Outra vítima identificada pela CATVE, uma mulher também denunciou prejuízo ainda maior. Em junho de 2024, ela afirma ter transferido R$ 130.800,00 por Pix após a promessa de receber a tal carta contemplada. Desconfiada da demora, entrou em contato com a Magazine Luiza e descobriu que o homem não possuía qualquer vínculo com a empresa.
Após insistentes cobranças, ele devolveu parte do valor em depósitos fracionados entre outubro e novembro, totalizando R$ 70.500.00. Mesmo assim, o prejuízo permaneceu alto, em R$ 60.300,00.
Quando a vítima avisou que registraria boletim de ocorrência, recebeu a resposta: “Nunca ameace um ex-militar”.
As vítimas agora tentam recuperar os prejuízos e alertam para que outras pessoas não caiam no mesmo golpe. Informações podem ser repassadas de forma anônima pelo telefone 181.
