A Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou, até abril deste ano, 1.878 denúncias de direção perigosa nas rodovias federais do Paraná. As denúncias, recebidas pelo telefone 191, equivalem a 15,6 denúncias por dia. Em 2025, com 5.240 denúncias do tipo, foram 14,3 chamadas por dia, o que evidencia um crescimento no mau comportamento de alguns motoristas.
Enquadram-se como direção perigosa os comportamentos de dirigir de forma que leve risco à segurança dos outros usuários. Forçar ultrapassagens, conduzir em zigue-zague, excesso de velocidade e forçar outros veículos a sair da pista são as reclamações mais comuns.
Os veículos denunciados são buscados pela PRF e abordados quando localizados. Entretanto, além da verificação das condições físicas e psicológicas do condutor e das condições de manutenção e documentais do veículo, não é legalmente possível a autuação dos infratores pelas condutas denunciadas. Pelo Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (MBFT), só são passíveis de autuação as condutas verificadas pelo próprio agente, não sendo possível a autuação por comunicação de terceiros. Entretanto, em condutas mais graves que possam configurar crime, é possível a responsabilização do infrator, com a representação da vítima.
Essa grande quantidade de denúncias de direção perigosa demanda o despacho de equipe para verificação, afetando outros trabalhos de fiscalização e de combate ao crime. Muitas das ocorrências são derivadas de desentendimento e de falta de cordialidade no trânsito, com a consequente denúncia de um dos envolvidos. Outra situação comum é a de condutores embriagados ou dirigindo por muitas horas, em estado de cansaço extremo, com descolamento da realidade.
Até o final de abril, a PRF no Paraná flagrou 1.563 condutores alcoolizados e outros 2.384 infringindo o tempo de descanso para motoristas profissionais. 310 foram autuados pela não realização do exame toxicológico obrigatório, o que pode evidenciar o uso de substâncias que buscam afastar o sono, mas geram efeitos colaterais gravíssimos, como paranoia. As ultrapassagens irregulares, responsáveis por mais de 30% das mortes nas rodovias paranaenses nas colisões frontais, também preocupam: apenas nestes quatro primeiros meses de 2026, foram quase cinco mil flagrantes. Outros 18 motoristas foram flagrados ameaçando, com o veículo, outros usuários da rodovia.
Nos primeiros quatro meses deste ano, 189 pessoas morreram e outras 2.912 ficaram feridas em acidentes nas rodovias federais do Paraná. A grande maioria desses acidentes ocorreram por comportamentos inadequados, como excesso de velocidade, falta de atenção e ultrapassagens proibidas.