O que inicialmente foi tratado como um atropelamento com morte na PR-468, entre Umuarama e Mariluz, passou a ser investigado pela Polícia Civil do Paraná sob a linha de possível feminicídio.
A vítima foi identificada como Cleonice Andrade de Souza, de 62 anos. Ela morreu na manhã de domingo (10), após ser atingida por um Ford Verona conduzido por um homem de 62 anos, morador de Altônia.
O motorista foi preso em flagrante no dia do caso. Segundo a polícia, ele apresentava sinais de embriaguez, não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e o teste do bafômetro apontou 0,42 mg/L de álcool no organismo.
Na ocasião, o homem afirmou que havia ingerido cerveja, dormido ao volante e acordado apenas após ouvir o impacto. Ele também declarou acreditar que a mulher havia descido de um ponto de ônibus momentos antes do atropelamento.
A versão, porém, começou a ser questionada pela própria família da vítima.
O filho de Cleonice, Michel Andrade, contou que a situação passou a ganhar novos contornos quando ele procurou informações para emissão do atestado de óbito da mãe.
Segundo ele, a família já sabia que Cleonice mantinha um relacionamento com o suspeito, marcado por términos e reconciliações ao longo de três meses.
Quando fomos atrás das informações, imaginávamos que ele também estivesse ferido, porque sabíamos que eles estavam juntos. Mas, no IML, começamos a perceber que havia muita coisa sem explicação”, afirmou.
Michel relatou ainda que o homem esteve na casa da mãe na tarde de sábado (9), um dia antes da morte. Conforme o relato, ele teria passado pelo local por volta das 16h e pedido para que Cleonice se arrumasse porque sairiam juntos mais tarde.
Quando fomos atrás das informações, imaginávamos que ele também estivesse ferido, porque sabíamos que eles estavam juntos. Mas, no IML, começamos a perceber que havia muita coisa sem explicação, afirmou.
Michel relatou ainda que o homem esteve na casa da mãe na tarde de sábado (9), um dia antes da morte. Conforme o relato, ele teria passado pelo local por volta das 16h e pedido para que Cleonice se arrumasse porque sairiam juntos mais tarde.
Segundo Michel, foi justamente durante esse processo que surgiram elementos indicando que Cleonice possivelmente estava dentro do carro antes do acidente.
Só conseguimos localizar e comprovar que minha mãe estava no veículo depois que identificamos alguns pertences dela nas imagens divulgadas. Foram fotos e vídeos da cobertura do acidente que nos ajudaram a ligar os fatos”, disse.
O filho afirma que insistiu para que o caso tivesse aprofundamento investigativo.
“Eu só quero justiça. Minha mãe não pode virar apenas mais um número em uma estatística. A gente quer entender exatamente o que aconteceu naquela noite”, declarou.
Cleonice Andrade de Souza também era conhecida em Umuarama pela longa trajetória no serviço público municipal. Ela trabalhou por cerca de 30 anos na prefeitura e estava aposentada.
Após a confirmação da morte, antigos colegas de trabalho e amigos passaram a prestar homenagens e lamentar a perda nas redes sociais, destacando o jeito acolhedor e a convivência construída ao longo das décadas.
Em nota, a assessoria de comunicação da Polícia Civil do Paraná informou que o inquérito foi instaurado e que as investigações seguem em andamento.
“A equipe de investigação segue as diligências, incluindo a oitiva de testemunhas e a análise de laudos periciais, para o completo esclarecimento dos fatos”, informou a PCPR.
Inicialmente, o homem foi autuado em flagrante por homicídio culposo na direção de veículo automotor, com agravantes relacionados à embriaguez e à ausência de habilitação. Após audiência de custódia, ele foi solto mediante pagamento de fiança no valor de R$ 2 mil.
