Imagens do circuito interno de um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) de Cafelândia, registraram o momento em que a então diretora da unidade agride um aluno de 4 anos diagnosticado com transtorno do espectro autista (TEA). O caso, que só veio à tona após a família ser convocada pela Secretaria de Educação, resultou no afastamento imediato da servidora e na abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), além de um inquérito policial.
As gravações mostram a ex-diretora segurando o menino e tentando forçá-lo a permanecer em um local determinado. Em seguida, quando a criança corre, a servidora vai atrás. O vídeo também exibe o momento em que ela retira o chinelo e aponta para o aluno em tom de ameaça. Na sequência, desfere um tapa nas nádegas do menino, que busca proteção junto a uma professora assistente. Mesmo sob o olhar da colega, as intimidações continuam.
Mãe só soube das agressões ao ser chamada na prefeitura
O caso começou a ser descoberto quando a mãe do menino, Gilce Mendes de Oliveira Garbusz, foi convocada pela Secretaria de Educação. A reunião ocorreu em 10 de dezembro, e até aquele momento a família não suspeitava de maus-tratos. A agitação noturna da criança era atribuída a outras causas. Foi apenas no gabinete da secretária que os pais assistiram às imagens que documentam a conduta da diretora.
De acordo com a secretária de Educação de Cafelândia, Patrícia Tenfen, a administração municipal agiu assim que teve acesso ao vídeo. “A servidora foi afastada e um PAD foi instaurado para apurar a conduta. A família do menino também foi comunicada por mim pessoalmente”, afirmou. A ex-diretora permanece vinculada ao quadro do município até a conclusão do procedimento administrativo.
Áudios com ameaças ampliam investigação
A situação ganhou novos contornos quando áudios com supostas ameaças enviadas pela investigada a outra servidora, que foi ouvida como testemunha, foram anexados ao caso. Em um dos trechos, atribuído à ex-diretora, ouve-se: “A vida é uma roda gigante, tá? Você sabe tudo que eu fiz por você. A única vez que eu precisei da ajuda de vocês é isso aí que eu mereço. Tudo que vai, volta.”
O processo disciplinar é conduzido por uma comissão especial e deve ter o resultado divulgado nos próximos dias. Já o inquérito policial e o procedimento no Ministério Público não têm prazo para conclusão. As agressões e ameaças começaram a ser analisadas pelo MP em 5 de março. A defesa da servidora apresentou manifestação no dia 4 de maio, e o caso agora aguarda a designação de audiência de instrução e julgamento.
“A gente fica bastante emocionado”, diz advogado do município
A assessoria jurídica de Cafelândia acompanha o andamento do caso. O advogado Manoel Santos afirmou que a administração municipal está “preocupada com a gravidade da situação”. “Quando você trata de criança e uma pessoa que tem a responsabilidade de trazer para essa criança um cuidado maior, a gente fica bastante emocionado até com essa situação”, declarou.