O advogado João Alves Cruz, que defende o homem acusado de envolvimento na morte de Isabel Brilhador, 65 anos, em Campo Mourão, afirmou em entrevista à TV Carajás que Anderson é inocente e que não teria motivo para cometer o crime.
Segundo o advogado, desde o primeiro contato com o suspeito, ele buscou ouvir a versão do acusado de forma reservada e questionou, entre outros pontos, se o mesmo havia autorizado o acesso da polícia ao telefone celular. De acordo com Cruz, ele teria colaborado com a investigação e apresentado informações que, na avaliação da defesa, afastariam a possibilidade de participação no homicídio.
O advogado também afirmou que Anderson mantinha um relacionamento com Isabel havia cerca de dois anos. Segundo ele, embora a relação não fosse convencional, havia proximidade entre os dois e ajuda mútua. “Ele não tem o dolo, o elemento necessário para querer matar”, afirmou Cruz.
A defesa também contesta a hipótese de que o dinheiro tenha sido a motivação para o crime. O advogado citou transferências via Pix feitas por Isabel para Anderson e afirmou que os valores fariam parte de uma ajuda que já ocorria ao longo do relacionamento.
Para Cruz, seria contraditório que Anderson matasse uma pessoa que, segundo a defesa, o auxiliava financeiramente. “Não tem motivo para Anderson querer matar exatamente a galinha dos ovos de ouro”, declarou.
DEFESA QUESTIONA LINHA DE INVESTIGAÇÃO
O advogado reconheceu o trabalho dos delegados responsáveis pelo caso, mas afirmou que a investigação teria concentrado esforços em uma única linha e, na avaliação dele, deixado de lado outras possibilidades.
Cruz disse acreditar que o relacionamento de Isabel poderia envolver outras pessoas e que essa possibilidade também deveria ser considerada pelos investigadores. “Acredito que a linha adotada pela delegacia, não há dúvida que teria que seguir ela, mas acho que eles descartam todas as outras possibilidades que poderiam ter acontecido”, afirmou.
A defesa também questiona o encerramento do inquérito antes da conclusão de determinados laudos. Segundo o advogado, a prisão temporária poderia ter sido prorrogada para que os investigadores aguardassem os resultados definitivos.
NOVOS ELEMENTOS
João Alves Cruz afirmou ainda que a defesa tomou conhecimento de uma informação que considera relevante: uma pessoa teria visto alguém entrando na residência de Isabel momentos depois dos fatos.
O advogado também citou o laudo de necropsia e afirmou que, na avaliação da defesa, ainda existem dúvidas sobre o período exato da morte.
Outro ponto levantado é a ausência, até o momento, de elementos periciais que, segundo Cruz, indiquem onde exatamente Isabel foi morta e como a ação teria ocorrido.
“Ah, foi por ação humana, mas essa ação humana é muito ampla. Na verdade, eu não vi a parte de perícia da casa que trouxe, por exemplo: ela estava enterrada aqui, mas aonde ela foi morta?”, questionou.
A defesa também aguarda, segundo o advogado, os resultados das perícias realizadas nos veículos relacionados ao caso. Cruz afirmou que, até o momento, não teria sido identificado sangue nos automóveis analisados.
Para o advogado, os pontos levantados pela defesa geram uma dúvida que considera relevante sobre a participação de Anderson e que deverá ser esclarecida durante o andamento do processo. “O Anderson não tem antecedentes criminais, é um rapaz muito trabalhador, inclusive com dois empregos. Não teria motivo para cometer um crime dessa natureza.”
RELEMBRE O CASO
Isabel Brilhador desapareceu em 4 de setembro de 2026. A família registrou um boletim de ocorrência no dia seguinte, depois de perceber que ela não havia sido localizada. Durante a apuração, familiares também relataram mudanças no comportamento das mensagens atribuídas a Isabel a partir de 28 de agosto.
A Polícia Civil passou a investigar o desaparecimento, ouvindo familiares e testemunhas, analisando imagens de câmeras e informações do celular. Também foram realizadas buscas em áreas de mata, inclusive no Jardim Arnaldo Bronzel, com apoio do Corpo de Bombeiros e de cão do Canil de Cascavel.
Em 10 de setembro, um homem apontado como ex-companheiro de Isabel foi preso temporariamente. Segundo a investigação, ele teria apresentado contradições durante os depoimentos. A defesa, desde então, sustenta que ele não participou do desaparecimento ou da morte.
As investigações avançaram até que, em 15 de setembro, o corpo de Isabel foi encontrado enterrado no quintal da própria residência, no jardim Cidade Alta, em Campo Mourão, após buscas realizadas pela polícia com auxílio de cães.