A delegada Lais Alves, da 16ª Subdivisão Policial (SDP) de Campo Mourão, concedeu entrevista coletiva nesta segunda-feira, 20, para detalhar as investigações sobre o atentado a tiros ocorrido na última sexta-feira, 17, em uma conveniência da área central da cidade. O ataque deixou dois mortos e três pessoas feridas.
Segundo a delegada, o adolescente responsável pelo crime se apresentou espontaneamente na delegacia, confessou a autoria dos disparos e teve a apreensão decretada pela Justiça.
Conforme o relato prestado à Polícia Civil, ele afirmou que agiu motivado por vingança em razão de fatos ocorridos em 2024. De acordo com o depoimento, a principal alvo do atentado seria Veridiana Menin, 40 anos.
O adolescente alegou que ela teria coordenado uma ação que resultou em agressões contra sua mãe e que, posteriormente, seu irmão acabou sendo morto. Desde então, afirmou ter alimentado o desejo de vingança.
Ainda conforme a investigação, o menor disse que já planejava cometer o crime, mas nunca havia encontrado a vítima. “No fim de semana, ao saber que ela estaria no estabelecimento comercial, ele passou diversas vezes em frente ao local para confirmar sua presença e decidiu agir, considerando aquela a oportunidade para executar a vingança”, relata a delegada.
A arma utilizada no atentado, uma pistola calibre 9 milímetros, segundo o adolescente, pertencia ao irmão já falecido. Ele afirmou que manteve o armamento guardado em casa justamente com a intenção de utilizá-lo para se vingar dos acontecimentos de 2024.
Durante a coletiva, a delegada esclareceu que a mãe do adolescente, conduzida à delegacia no dia do crime, foi liberada e responderá ao procedimento em liberdade. Já a namorada do menor também foi investigada por uma possível participação na fuga, porém a hipótese foi descartada.
Segundo a delegada, as investigações apontaram que, após o atentado, o adolescente retornou para casa, trocou de roupa e saiu acompanhado da namorada. Entretanto, ela declarou desconhecer o crime, e a Polícia Civil não encontrou elementos que comprovassem apoio logístico ou auxílio na fuga.
A delegada ressaltou que as diligências continuam para esclarecer todos os fatos e apurar todas as linhas de investigação. Ela confirmou ainda que a família do adolescente já havia sido alvo de um atentado anteriormente e informou que tanto o irmão falecido quanto o próprio adolescente possuem antecedentes por atos infracionais.
Outro ponto investigado são os materiais explosivos encontrados na residência do menor. “No depoimento, ele afirmou que encontrou os artefatos em um lago enquanto pescava e decidiu levá-los para casa, mas a verdadeira origem dos explosivos e qual seria a finalidade deles serão investigados”, afirma a delegada.
Lais informou ainda que representou pela apreensão do adolescente, pedido que foi rapidamente acolhido pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário. O menor será encaminhado ao Centro de Socioeducação (Cense), onde permanecerá apreendido.
Com a apreensão da pistola utilizada no atentado, a Polícia Civil também realizará exames para verificar se a arma pode ter sido empregada em outros crimes registrados em Campo Mourão. As investigações seguem em andamento.