Pesquisadores liderados por Benjamin S. Freedman, da University of Washington, deram um passo importante na busca por novas formas de regenerar o tecido renal.
O estudo na revista The Innovation, propõe uma estratégia diferente das abordagens tradicionais de desenvolvimento de organoides renais.
Em vez de produzir estruturas renais relativamente maduras em laboratório e posteriormente tentar transplantá-las, os pesquisadores trabalharam em uma etapa muito mais inicial do desenvolvimento.
A partir de células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs), eles conseguiram produzir, em apenas quatro dias, um conjunto de células progenitoras chamado mesênquima metanéfrico induzido (iMM).
Esse conjunto contém células que podem dar origem a diferentes componentes do rim, incluindo células epiteliais, além de células estromais responsáveis por fornecer suporte estrutural e participar da formação da rede vascular.
Um dos principais achados foi que essas células, por estarem em um estágio mais jovem de desenvolvimento, apresentaram maior capacidade de responder ao ambiente do rim.
Também foram observadas células especializadas, como podócitos e células mesangiais, que são importantes para o funcionamento dos néfrons e que normalmente aparecem com dificuldade em organoides renais mais maduros.
Outro resultado interessante foi a menor formação de cistos, uma complicação frequentemente observada em alguns modelos anteriores de organoides.
UMA NOVA VISÃO PARA A REGENERAÇÃO RENAL
A lógica por trás da pesquisa é relativamente simples: em vez de tentar construir um rim quase pronto fora do organismo, os cientistas procuram entregar células em um estágio inicial, permitindo que o próprio ambiente renal forneça sinais para orientar seu desenvolvimento.
É uma abordagem que tenta reproduzir, em parte, o processo natural de formação do rim.
Mas é importante destacar: isso ainda está em fase experimental. Os resultados foram obtidos em modelos animais e não significam que já seja possível regenerar rins humanos ou substituir um transplante renal.
Mesmo assim, a pesquisa representa uma perspectiva interessante para a medicina regenerativa: no futuro, células-tronco poderiam eventualmente ser utilizadas para estimular a formação de novos tecidos renais funcionais em pacientes com doença renal grave.