O Banco Central (BC) adotou novas regras de segurança para o PIX que passam a valer em 2 de fevereiro de 2026, com o objetivo de tornar mais eficaz a recuperação de recursos em casos de golpes e fraudes. As mudanças concentram-se no aprimoramento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta criada para permitir que vítimas recuperem valores transferidos indevidamente.
Atualmente, o sistema é considerado pouco ágil. Em média, menos de 10% do dinheiro roubado via PIX é recuperado pelos bancos, pois criminosos costumam pulverizar os valores rapidamente em múltiplas contas. Com as novas regras, o Banco Central estima que as fraudes possam cair até 40% e que o processo de restituição se torne mais rápido e eficiente.
Uma das principais inovações é a possibilidade de rastrear o caminho do dinheiro por várias contas. Antes, o bloqueio ocorria apenas na primeira conta que recebia o PIX fraudulento. Agora, se o golpista transferir o valor para uma segunda ou terceira conta, as chamadas “contas laranjas”, o sistema realizará bloqueios automáticos em cascata. Segundo o BC, isso aumenta significativamente as chances de localizar o saldo e devolver, total ou parcialmente, o montante à vítima.
Outra mudança relevante é a automação da denúncia. O usuário poderá reportar o golpe diretamente pelo aplicativo do banco, sem precisar falar com um atendente, o que permitirá bloqueio imediato dos valores. A expectativa é que o reembolso ocorra em até 11 dias, prazo menor do que o atual. Além disso, os comprovantes de devolução serão mais detalhados, indicando claramente a qual transação o estorno se refere.
Embora o novo modelo já estivesse disponível de forma opcional, ele se tornará obrigatório para todas as instituições financeiras em fevereiro de 2026. O Banco Central afirma que a meta é tornar o sistema tão ágil quanto os criminosos e dificultar o uso de contas para práticas fraudulentas.
O BC reforça que o PIX continuará gratuito para pessoas físicas e que as novas medidas de segurança não gerarão custos adicionais para o usuário comum.