A Polícia Civil do Paraná identificou duas novas vítimas no inquérito que investiga um médico ginecologista, de 81 anos, suspeito de violação sexual mediante fraude em Irati. Os novos depoimentos reforçam a apuração e apontam um possível padrão de conduta ao longo dos anos.
O caso começou a ser investigado em fevereiro deste ano, depois que uma mulher, de 24 anos, denunciou ter sido vítima de atos libidinosos durante uma consulta ginecológica, em uma unidade de saúde vinculada a um consórcio intermunicipal. Segundo o relato, o médico teria se aproveitado da relação de confiança para cometer os abusos sob justificativa de procedimentos clínicos.
Durante as diligências, a equipe da 41ª Delegacia Regional localizou outras duas mulheres que afirmam ter passado por situações semelhantes, em 2011 e 2016.
Apesar dos relatos, esses casos mais antigos não podem resultar em responsabilização criminal isolada, devido ao prazo legal vigente na época. Até 2018, crimes dessa natureza dependiam de representação da vítima em até seis meses após a identificação do autor. A regra mudou com a Lei nº 13.718/2018, que passou a permitir a investigação independentemente da manifestação da vítima.
Mesmo assim, os depoimentos são considerados importantes para fortalecer a investigação atual, ao indicar recorrência no comportamento do suspeito.
Segundo o delegado Luis Henrique Dobrychtop, a semelhança entre os relatos, mesmo sem ligação entre as vítimas, é um indicativo relevante. “Não se trata de um fato isolado, mas de uma conduta que pode ter sido repetida ao longo do tempo”, afirmou.
Diante da gravidade do caso, o médico foi indiciado por violação sexual mediante a fraude. A Polícia Civil também solicitou à Justiça a suspensão do exercício profissional, para evitar novos atendimentos enquanto o caso é apurado.
A polícia orienta que possíveis vítimas procurem a Delegacia de Irati para registrar denúncia. Informações também podem ser repassadas de forma anônima pelos telefones 197 e 181.