Deise Moura dos Anjos, nora da mulher que preparou o bolo que causou a morte de três pessoas em Torres, no litoral do Rio Grande do Sul, em dezembro, foi presa neste domingo. Ela é suspeita de cometer triplo homicídio qualificado, com motivo fútil e uso de veneno, além de três tentativas de homicídio igualmente qualificadas. Deise está detida no Presídio Estadual Feminino de Torres e passará por audiência de custódia na tarde desta segunda-feira (6), conforme informado pelo Tribunal de Justiça. Em nota, a defesa de Deise afirmou que ainda não teve acesso completo à investigação em andamento e se manifestará oportunamente.
Três pessoas morreram após consumir o bolo: as irmãs Neuza Denize Silva dos Anjos e Maida Berenice Flores da Silva e a filha de Neuza, Tatiana Denize Silva dos Anjos.
Deise é casada há cerca de 20 anos com o filho de Zeli dos Anjos, conforme familiares, e reside em Nova Santa Rita, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Pessoas próximas à família revelam que a relação entre Deise e sua sogra sempre foi conturbada. Profissionalmente, Deise se descreve como especializada em contabilidade, com experiência em escritórios contábeis e empresas dos setores imobiliário, logístico e hospitalar.
O delegado Marcus Vinícius Veloso, responsável pela investigação, declarou em coletiva nesta segunda-feira que as provas contra Deise são robustas, indicando sua autoria nos crimes. No entanto, ele não divulgou detalhes sobre as provas ou o motivo do crime, para não prejudicar a investigação.
Relembre o caso
De acordo com a Polícia Civil, sete pessoas da mesma família estavam reunidas em uma casa, durante um café da tarde, quando começaram a passar mal. Apenas uma delas não teria comido o bolo. Zeli, que preparou o alimento, em Arroio do Sal e levou para Torres, também foi hospitalizada.
Três mulheres morreram com intervalo de algumas horas. Tatiana Denize Silva dos Anjos e Maida Berenice Flores da Silva tiveram parada cardiorrespiratória, segundo o hospital. Neuza Denize Silva dos Anjos teve como causa da morte divulgada “choque pós-intoxicação alimentar”. Segundo o delegado Marcos Vinícius Veloso, que conduz as investigações, Zeli foi a única pessoa da casa a comer duas fatias. A maior concentração do veneno foi encontrada no sangue dela.
A investigação encaminhou os corpos das três vítimas para necropsia no Instituto-Geral de Perícias (IGP), órgão responsável por atestar a causa da morte. Resultados devem ser divulgados nesta semana.