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Caso Danilo Bido: Justiça marca audiência que pode definir ida de acusado a júri popular

Durante o andamento das investigações, um amigo da vítima chegou a ser preso temporariamente
(Foto Rede Social)

O processo que apura a morte de Danilo Roger Bido Ferreira, de 32 anos, terá uma nova movimentação em novembro. O advogado Richard Macedo, que representa a família da vítima, informou nesta semana que a Justiça designou para 11 de novembro de 2026, às 13h30, a audiência de instrução e julgamento na Comarca de Iporã.

A definição da data ocorre no momento em que também permanece mantido o laudo psicológico e psiquiátrico elaborado pela Polícia Científica do Paraná sobre a capacidade de Diego Augusto de Lima Santos, acusado pelos homicídios investigados no caso.

Na audiência de instrução e julgamento, são produzidas provas e ouvidas as partes e testemunhas do processo. Ao fim dessa fase, a Justiça avaliará se existem elementos para que o acusado seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Laudo aponta capacidade para compreender os atos

O documento elaborado pela Polícia Científica concluiu que Diego apresenta transtorno de personalidade antissocial, além de histórico de episódios psicóticos.

Apesar disso, os peritos apontaram que ele tinha capacidade de compreender o caráter ilícito dos atos atribuídos a ele e de determinar o próprio comportamento quando os crimes ocorreram.

A conclusão afasta, conforme o resultado da perícia, a hipótese de inimputabilidade penal por doença mental, que havia sido levantada pela defesa.

O laudo também registra características consideradas pelos peritos durante a análise dos homicídios. Segundo o documento, os crimes apresentaram elementos de planejamento e escolha das vítimas e, em pelo menos um dos casos, houve tentativa de ocultação de provas para dificultar as investigações.

O assistente de acusação Richard Macedo já havia comentado a conclusão da perícia. “Diego possuía total capacidade de entender tudo o que ele realizou”, afirmou.

Avaliação registrou relatos de conteúdo místico

Durante a avaliação psicológica e psiquiátrica, Diego declarou acreditar que era guiado por Anúbis, divindade da mitologia egípcia associada à morte. Segundo o laudo, ele afirmou que as vítimas teriam sido “libertadas” por ele.

Os especialistas também registraram relatos de perseguição e conteúdo místico-religioso. O documento aponta ainda que Diego teria recusado medicamentos prescritos porque acreditava que estava sendo envenenado.

Prisão ocorreu após morte de Danilo

Diego está preso desde novembro de 2025. A investigação ganhou repercussão após a morte de Danilo, encontrado com 18 facadas na zona rural de Iporã, em 31 de agosto de 2025.

Durante o andamento das investigações, um amigo da vítima chegou a ser preso temporariamente. Posteriormente, ele foi liberado após Diego confessar o crime e afirmar que havia agido sozinho.

Em depoimento à Polícia Civil, Diego afirmou ter matado Danilo “por puro prazer” e também declarou ser responsável por outros homicídios ocorridos em Iporã.

A Polícia Civil posteriormente o indiciou pelas mortes de Danilo Roger Bido Ferreira, José Antônio Rodrigues Gaia, de 61 anos, e Gilberto de Lucca, de 45 anos.

Além desses casos, durante os interrogatórios, Diego confessou outro assassinato. Essa morte passou a ser apurada em um procedimento separado.

Celular reuniu elementos usados na investigação

A investigação também encontrou no celular do acusado registros de localização referentes aos dias dos homicídios. Segundo a Polícia Civil, esses dados eram compatíveis com os locais relacionados aos crimes.

Os investigadores encontraram ainda pesquisas na internet relacionadas a assassinatos. Entre elas estava uma busca sobre qual seria a pena para quem mata a própria mãe.

Esses elementos já haviam sido apresentados pela Polícia Civil durante a investigação e integraram o conjunto de informações reunidas no inquérito.

(Com informações da Polícia Civil do Paraná) OBemdito