A poucos dias do Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, uma ocorrência de alta complexidade mobilizou forças de segurança no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI), no bairro São Braz, em Curitiba, na tarde desta sexta-feira (9). Em um dia de comemoração, com crianças usando penteados caracterizados, um homem invadiu o CMEI São Braz, em Curitiba, manteve alunos sob ameaça e morreu durante uma intervenção do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), da Polícia Militar do Paraná (PMPR). Ao todo, 13 crianças foram resgatadas, e cinco foram encaminhadas para avaliação médica.
A ocorrência durou aproximadamente três horas, entre as tentativas de negociação e a entrada tática das equipes policiais. Confira a linha do tempo do caso do CMEI no bairro São Braz em Curitiba.
Entenda como foi a invasão ao CMEI São Braz
Homem pula a cerca e entra na unidade
Segundo o coronel Alexandre Lopes Dias, em entrevista coletiva, o homem chegou ao CMEI de bicicleta, deixou o veículo do lado de fora e pulou a cerca para entrar na unidade de ensino. Durante a invasão, ele passou a manter crianças sob ameaça. Conforme as informações apresentadas pela Polícia Militar, o homem estava com uma faca, um simulacro de arma de fogo e material inflamável. O cheiro do produto era forte, segundo o comandante.

Informações preliminares da Guarda Municipal indicavam que 23 crianças estavam na sala em que o homem entrou. Desse grupo, oito teriam sido libertadas inicialmente. Posteriormente, a PM informou que 13 crianças foram mantidas reféns e resgatadas durante a operação. Polícia Militar é acionada e inicia negociação Após o acionamento da central de emergência 190, equipes do 12º Batalhão de Polícia Militar (BPM) foram deslocadas para o local. O atendimento mobilizou também profissionais especializados em gerenciamento de crises. O CMEI foi isolado para garantir a segurança da comunidade escolar e permitir o trabalho das equipes. Durante esse período, policiais tentaram convencer o homem a desistir da ação e libertar as crianças.

De acordo com o coronel, a equipe de negociação buscou acalmar o suspeito e as vítimas enquanto avaliava os riscos. A direção e os professores também atuaram para retirar as demais crianças da unidade. Situação se agrava durante as negociações Com o passar do tempo, a situação se tornou mais crítica. Segundo o comandante, o homem passou a apresentar comportamento agressivo, tanto verbalmente quanto fisicamente. Algumas crianças teriam sido seguradas de maneira agressiva e uma ou duas chegaram a se machucar. Durante a coletiva, ele também contou que as crianças estavam muito abaladas, choravam e pediam para ir ao banheiro. Em determinado momento, os policiais perceberam que uma delas apresentava ferimentos visíveis no rosto. Outro fator de preocupação era a presença de material inflamável. Segundo a PMPR, o suspeito manipulava um pano e estava com um isqueiro na mão, ameaçando colocar fogo no local. BOPE decide entrar na creche Após aproximadamente duas horas e meia a três horas de negociação, as equipes identificaram uma oportunidade para realizar a intervenção tática. A decisão foi tomada diante do aumento do risco à integridade das crianças.
“Quando percebemos que as crianças começaram a ficar em um nível de estresse mais elevado e que ele passou a agredi-las, optamos pelo adentramento tático para evitar um mal maior” afirmou o coronel Alexandre Lopes Dias.
Suspeito tenta alcançar uma criança e é morto
Segundo o comandante, durante a intervenção, o homem tentou avançar para alcançar uma das crianças. Em seguida, o suspeito foi atingido por um tiro e morreu. A PMPR informou posteriormente que a arma que inicialmente parecia ser uma pistola era, na verdade, um simulacro. O homem também estava com uma faca e material inflamável. O coronel destacou que a intervenção ocorreu quando a equipe avaliou que a negociação não era mais suficiente para proteger as vítimas diante do agravamento da situação.
Treze crianças são resgatadas
Com o suspeito neutralizado, os policiais retiraram as 13 crianças que estavam sob ameaça e as encaminharam às equipes médicas e aos bombeiros que aguardavam do lado de fora da unidade. Assista ao momento em que as crianças foram resgatadas De acordo com o comandante, as vítimas estavam bastante abaladas e algumas choravam compulsivamente. Os profissionais de emergência prestaram os primeiros atendimentos após a retirada das crianças. A operação contou com a participação do 12º BPM, do BOPE e do Comando de Aviação da PMPR, além do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), da Guarda Municipal de Curitiba e da Polícia Civil do Paraná (PCPR).
Cinco crianças são encaminhadas para avaliação médica
Das 13 crianças resgatadas, cinco foram encaminhadas para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), por indicação das equipes ou a pedido dos responsáveis. Segundo o coronel, uma delas apresentava ferimentos visíveis no rosto, provocados pelo suspeito. As demais receberam atendimento das equipes de emergência.

A PMPR também ressaltou a atuação dos profissionais do CMEI, especialmente da direção e dos professores, que retiraram as outras crianças do estabelecimento durante a ocorrência.
Motivação da invasão ainda não foi esclarecida
Após a neutralização do homem, os policiais conseguiram identificá-lo. Durante a entrevista coletiva, o coronel afirmou que recebeu a informação de que o suspeito tinha esquizofrenia. No entanto, destacou que não foi possível estabelecer com certeza a motivação da invasão. “Não posso afirmar realmente o que ele passava ou qual era a intenção dele, o motivo pelo qual ele estava fazendo aquele atentado”, declarou. O comandante também confirmou que uma carta foi encontrada durante a ocorrência. Segundo ele, o documento caiu quando o homem entrou na unidade, mas não foi possível afirmar quem o escreveu.