O homem de 35 anos preso após agredir e ameaçar de morte a ex-companheira em Cascavel teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça. Para a promotora de Justiça Andrea Frias, que acompanha o caso, os elementos reunidos até agora indicam que a investigação poderá avançar para um possível enquadramento por tentativa de feminicídio.
O caso aconteceu na tarde de terça-feira (22), no bairro Paulo Godoy. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o homem entra em luta corporal com a ex-companheira e aplica um golpe conhecido como “mata-leão”. A mulher chega a perder a consciência e, depois, volta a ser agredida.
Uma vizinha ouviu os pedidos de socorro e acionou a Guarda Municipal. Quando as equipes da ROMU chegaram, o homem tentou se desfazer de uma pistola calibre .380, que foi localizada pelos agentes. A arma estava carregada, com uma munição na câmara e outras seis no carregador.

Segundo a investigação, a mulher também relatou ter sido ameaçada de morte durante a agressão. O homem teria exigido que ela retomasse o relacionamento.
Promotora explica pedido de prisão
Andrea Frias explicou que a prisão preventiva é solicitada quando existem elementos que indicam risco à vítima, à sociedade ou à própria investigação.
No caso, a promotora afirmou que o pedido foi feito de forma imediata diante da gravidade da agressão, do fato de o homem ter conseguido entrar na residência da ex-companheira, do uso de uma arma e da existência de antecedentes.
A prisão preventiva foi decretada pela Justiça na quarta-feira (23), após a homologação do flagrante. Com a decisão, o investigado permanece preso enquanto o processo avança.
Caso ainda pode mudar de enquadramento
Atualmente, o homem foi indiciado pela Polícia Civil por vias de fato, ameaça no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido. A Delegacia da Mulher informou que as imagens, os depoimentos e a apreensão da arma foram considerados na investigação inicial.
A promotora explicou, porém, que o inquérito ainda está em andamento e que novas diligências serão realizadas antes da definição do enquadramento jurídico definitivo.
Entre as possibilidades está a tentativa de feminicídio. Para Andrea Frias, a violência empregada contra a mulher, somada ao fato de o homem ter entrado na residência e utilizado uma arma de fogo durante a ocorrência, apresenta elementos que precisam ser investigados sob essa perspectiva.
“Há indícios sim de que possa ser enquadrado ali e deslocado, daí a competência para o Tribunal do Júri e para uma tentativa de feminicídio”, afirmou a promotora.