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Copel após privatização: mais reclamações e tarifas mais altas

Foto: Reprodução/Redes Sociais

A privatização da Copel (Companhia Paranaense de Energia), concluída em agosto de 2023 no segundo mandato do governador Ratinho Junior, transformou a companhia em uma corporação de capital disperso na B3. Dois anos depois, porém, os números e os relatos de consumidores revelam um cenário de contradição entre a promessa de modernização e a qualidade do serviço prestado — especialmente no meio rural.

O processo de venda

A operação financeira arrecadou R$ 5,2 bilhões e reduziu a participação do Governo do Paraná na empresa para 15,65%. O Estado manteve uma golden share, ação especial que garante poder de veto em decisões estratégicas, como mudança de sede.

A demanda pela oferta ultrapassou R$ 10 bilhões, atraindo fundos internacionais como a norte-americana GQG. Com a operação, a Copel deixou de ser uma estatal controlada pelo poder público e passou a seguir o modelo de corporação privada. O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) definiu que a empresa não tem mais a obrigação de prestar contas anuais à Corte.

Reclamações mais que dobram

Os efeitos da mudança de gestão sobre a qualidade do serviço estão documentados. Segundo o Informativo de Ouvidoria Setorial da Aneel, divulgado em setembro, a Copel registrou 6.051 reclamações entre setembro de 2025 e agosto de 2026 — alta de 110,4% na comparação com os 12 meses anteriores.

O número representa o quarto maior aumento entre as 51 distribuidoras de energia do país, e coloca a Copel na 10ª posição no total de reclamações do período. Os dados confirmam as falhas no serviço nos últimos anos, principalmente no meio rural.

FAEP aciona Ministérios Públicos

Em julho, o Sistema FAEP encaminhou representações ao Ministério Público do Paraná (MPPR) e ao Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) pedindo investigação contra a Copel.

No MPPR, a entidade solicita a abertura de inquérito civil para apurar interrupções frequentes e prolongadas, oscilações de tensão e demora no religamento, além de requerer dados técnicos da concessionária. No MPTCU, pede que o órgão examine se o reajuste e os investimentos que embasam a nova tarifa correspondem à qualidade do serviço oferecido.

Fonte: Novo Cantu Notícias